segunda-feira, 18 de julho de 2016

Stranger Things


Chegando sem muito alarde, essa nova série da Netflix com certeza é uma das melhores produções da gigante do streaming. A série é ambientada nos anos 80, e presta uma enorme homenagem a este período que nos trouxe obras como E. T. - O Extraterrestre, Goonies, Conta Comigo, etc, pois sem elas, os estreantes Matt e Ross Duffer não teriam criado esta obra.

Tudo começa com um grupo de crianças jogando rpg, e quando um deles some e uma garota com estranhos poderes surge na cidade, tudo vira de ponta cabeça. Todos os clichês estão lá: a conspiração do governo, o xerife durão tendo que reavaliar suas crenças, o drama da mãe que perde o filho (Winona Ryder surpreendentemente bem), até o triangulo amoroso adolescente entre o desajustado, a garota certinha e o atleta do colégio. Tudo isso poderia ser só pano de fundo e encheção de saco pro que realmente importa: o mistério e as crianças, mas todos os personagens são bem trabalhados e acabam tendo muita importância ao longo do desenrolar da história. Em apenas 8 episódios, não há necessidade de construir trama paralelas, tudo vai convergindo pro mesmo caminho.

Mas voltando ao ponto alto da série: as crianças. A interação entre eles é muito boa, brigam quando tem que brigar, zoam quando tem que zoar, agindo como crianças mesmo, e as referências a Senhor dos Anéis e Star Wars são sempre bem vindas (mas quando elas citam Carl Sagan talvez tenha sido exagero?). Um destaque pra Millie Bobby Brown, a garota misteriosa que aparece no começo da série e tem uma carga dramática maior nos ombros, mas se sai muito bem.

E apesar das crianças no cerne da trama, a série está longe de ser infantilizada, algo típico dos anos 80 também. O clima de mistério, alguns sustinhos para os mais desavisados, muita gosma, e um design de criaturas pra não botar defeito pra quem gosta de Half-Life, Resident Evil ou The Last Of Us, fazem com que todos os públicos se divirtam assistindo.

Assim como J.J. Abrams fez com Super 8, os irmãos Duffer captaram toda a essência dos anos 80, se espelhando em mestres como Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King, tendo como resultado um produto que não subestima as crianças e aquece o coração dos adultos mais saudosistas.

Não vou entrar em muitos detalhes da trama pra não estragar a experiência de quem vai ver a série, que já está disponível na Netflix, corre lá e se divirta.


[ATUALIZADO] Deixo aqui a playlist SENSACIONAL com as músicas que tocam na série:

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